Medida provisória sobre transporte rodoviário preocupa setor e pode encarecer escoamento da produção agrícola
Uma nova medida provisória que altera regras do frete rodoviário voltou a acender o debate sobre os custos logísticos no agronegócio brasileiro. Produtores e exportadores temem que as mudanças elevem as despesas para levar a safra do campo até os portos. O tema é sensível especialmente em um momento de colheitas volumosas e pressão sobre margens.
O governo federal editou uma medida provisória que modifica aspectos da política de frete rodoviário no Brasil, reacendendo discussões que o setor agropecuário já travava desde a chamada lei do caminhoneiro, aprovada após a greve de 2018. A nova regulação mexe com a estrutura de precificação do transporte e pode impactar diretamente os contratos firmados entre produtores, tradings e transportadoras.
Para o produtor rural, o efeito prático mais imediato seria o aumento no custo de escoamento da safra, que já representa uma fatia relevante das despesas totais de produção. Em regiões mais distantes dos portos, como o Centro-Oeste e o Matopiba, onde a dependência do modal rodoviário é maior, o impacto tende a ser proporcionalmente mais elevado.
O agronegócio acompanha o tema com atenção porque qualquer alta no frete corrói a competitividade do produto brasileiro no mercado externo. Com a soja e o milho disputando espaço com concorrentes como Estados Unidos e Argentina, margens apertadas tornam o custo logístico um fator decisivo para fechar ou perder negócios.
Entidades do setor já sinalizaram que vão acompanhar de perto a regulamentação da medida provisória e devem pressionar por ajustes que preservem a eficiência da cadeia de escoamento. O debate promete se intensificar nas próximas semanas, à medida que os detalhes da norma forem sendo conhecidos pelo mercado.
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