Custo de transporte corrói rentabilidade do milho em Mato Grosso do Sul
Produtores de milho em Mato Grosso do Sul enfrentam uma das maiores pressões sobre a margem do setor: o custo logístico pode absorver até três quintos do valor obtido com a venda do grão. A distância dos portos exportadores e a infraestrutura rodoviária limitada são os principais fatores que explicam esse desequilíbrio. O cenário reforça a necessidade de alternativas de escoamento mais eficientes para o estado.
O custo do frete representa um dos maiores entraves à competitividade do milho produzido em Mato Grosso do Sul. Em determinadas regiões do estado, a despesa com transporte pode comprometer até 60% da receita bruta obtida pelo produtor na comercialização da commodity, reduzindo drasticamente a margem líquida da atividade.
A situação decorre, em grande parte, da dependência quase exclusiva do modal rodoviário para o escoamento da produção. Com os principais portos de exportação localizados no litoral sul e sudeste do país, as distâncias percorridas encarecem o frete e colocam o produtor sul-mato-grossense em desvantagem frente a regiões com acesso a ferrovias ou hidrovias.
Esse desequilíbrio logístico pressiona o chamado preço líquido ao produtor, que é o valor efetivamente recebido após deduzidos os custos de transporte. Em anos de preços internacionais mais baixos, como o atual ciclo do milho, o impacto se torna ainda mais severo e pode inviabilizar economicamente parte da produção.
Investimentos em infraestrutura multimodal, como a expansão ferroviária e o aproveitamento da Hidrovia do Paraguai, são apontados por especialistas como caminhos para reduzir essa dependência do caminhão e melhorar a competitividade da produção regional no mercado global.
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