Cotações do trigo atingem patamar inédito em três anos pressionadas por tensões geopolíticas e clima adverso
O trigo registrou forte valorização nas bolsas internacionais, alcançando o nível mais elevado desde 2022. A combinação de restrições ao escoamento pelo Mar Negro e condições climáticas desfavoráveis nos principais países produtores reduziu a perspectiva de oferta global. O cenário exige atenção dos produtores brasileiros que importam o cereal para consumo interno.
As cotações do trigo dispararam nos mercados futuros internacionais, impulsionadas por dois fatores simultâneos: a deterioração das rotas de exportação pela região do Mar Negro e eventos climáticos que comprometeram lavouras em zonas produtoras estratégicas da Europa e da Ásia Central. O resultado foi uma pressão de alta que colocou os preços no patamar mais elevado em aproximadamente três anos.
O Mar Negro responde por parcela expressiva do comércio global de trigo, com Rússia e Ucrânia sendo fornecedores centrais para diversos mercados, inclusive para países que abastecem a cadeia produtiva brasileira de farinhas e rações. Qualquer restrição ao fluxo logístico dessa região se traduz rapidamente em desequilíbrio entre oferta e demanda nas bolsas de referência.
Do lado climático, secas e geadas fora de época prejudicaram o desenvolvimento de culturas em regiões-chave, reduzindo projeções de colheita e alimentando a percepção de escassez. Analistas avaliam que, enquanto esses dois vetores permanecerem ativos, a volatilidade deve continuar elevada.
Para o produtor e o comprador brasileiro de trigo, o momento pede cautela na gestão de estoques e contratos. O Brasil importa grande parte do cereal que consome, especialmente da Argentina, mas os preços internos tendem a seguir a referência externa. Hedge e planejamento de compras antecipadas ganham relevância neste ambiente de incerteza.
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